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Provamos a Magrela, uma sazonal sem lúpulo e que leva 18 especiarias.

Antes da popularização do lúpulo na Europa, por volta do século XVI, os produtores utilizavam o ‘gruit’, uma mistura genérica de ervas e especiarias locais que era usada para temperar e preservar a cerveja, desde os períodos mais remotos.

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E grande parte do que torna a chamada ‘revolução cervejeira’ tão instigante são os resgates históricos e releituras, que funcionam quase como uma viagem no tempo.

É o caso da Magrela, a recém-lançada sazonal da Cervejaria Nacional. Esta Gruit Ale com 6% ABV, não leva lúpulo (0 IBUs:Unidade de medida de amargor) e conta com 18 temperos e especiarias em sua composição: alecrim, sálvia, louro, gengibre, coentro, zimbro, cardamomo, alfavaca, cidreira, jasmim, macela, calêndula, camomila, alfazema, pimenta do reino, canela, cravo e erva doce, além dos maltes viena e caramelo, mel, açúcar mascavo e fermento de Weizenbier.

A receita é assinada pelo cervejeiro da casa, Guilherme Hoffmann junto com o alemão Steffen Ohnemüller, do tour Bike and Beer, citado aqui no blog.

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Veja abaixo o papo que tivemos com Guilherme Hoffmann sobre a concepção e a produção da Magrela Gruit Beer:

QNFM: Qual foi a inspiração para desenhar a receita da Magrela?

Foi a viagem para a Bélgica de bicicleta. Ciclistas precisam se hidratar e a cerveja está bem isotônica! A peculiaridade que vale ressaltar, foi a de colocar mel, açúcar mascavo e 18 tipos de ervas e condimentos!

QNFM: Alguma peculiaridade no processo de produção?

Foi exatamente o que eu faço normalmente com todas as cerveja, mas na hora de jogar o lúpulo, eu comecei a me coçar! [na foto acima vemos a infusão de ervas feita durante a produção da cerveja]

QNFM: Ao degustar essa breja, o que vem a sua cabeça?

A imagem de um monge velho na idade média com uma caneca de madeira. Sem zueira! Mas já ouvi coisas como: Pomada Tailandesa, quentão gelado com gás, xarope para tosse.

Avaliação QNFM:

Degustamos a Magrela em suas duas versões disponíveis: ‘pura’ e passando pelo ‘filtro de frutas’ frescas, com maça, abacaxi e pêra.

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Na versão pura, o cravo, gengibre, mel e outras especiarias ficam bastante evidentes, tanto no aroma quanto no sabor. Há ainda uma leve acidez proporcionada pela levedura weizen, mas que logo é contornada pelo dulçor residual de malte. Me senti em uma festa junina tomando um quentão (só que gelado).

Na versão com filtro a coisa fica ainda mais interessante. As frutas cítricas impulsionam a acidez que constrasta na medida certa com o dulçor do malte e os aromas e sabores condimentados. Um versão mais refrescante e ‘fácil de beber’ que a primeira.

Fico imaginando as possibilidades de interação dessa intrigante sazonal com comida, principalmente sobremesas que tragam canela, gengibre, frutas cristalizadas ou mel.

Seguindo o modelo das outras sazonais da casa, foram produzidos apenas 500 litros da cerveja, que serão vendidos em copos de 320 ml (R$ 14) e 550 ml (R$ 20) até o final do estoque.

Serviço:
Cervejaria Nacional
Av. Pedroso de Moraes, 604, Pinheiros
Tel.: 4305-9368
Horário de funcionamento: 17h/0h (6ª e sáb., 12h/1h30; fecha dom.)

Leia também a opinião de Heloisa Lupinacci, para o caderno Paladar do Estadão

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