Mundo Cervejeiro

Mulheres criam coletivo contra machismo no mercado cervejeiro

 

Um grupo formado por 65 mulheres que atuam no mercado de cervejas artesanais do país resolveu se unir para chamar a atenção para o machismo no setor. Cansadas de ouvir termos como “cerveja para mulher”, “quero falar com o cervejeiro responsável”, “mulher não deve ir ao bar sozinha” criaram o ELA um coletivo para enaltecer o trabalho da mulher no meio e denunciar ações machistas por parte da indústria cervejeira e da sociedade em geral.

Elas são mestres cervejeiras, sommelières, professoras, juízas de concursos, apreciadoras, empresárias e especialistas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Motivadas pela forma negativa como a mulher é retratada na indústria, querem que a relação cerveja e mulher comece a ser vista de outra forma.

brassagem ELA

A mobilização iniciou em maio, logo após a divulgação de um novo rótulo de cerveja que explorava negativamente a imagem de uma mulher. “Essa história de peito e bunda na cerveja já deu, né? Estamos no mundo da cerveja tanto quanto eles, trabalhamos tanto quanto eles e precisamos de respeito”, explica a gerente comercial e de marketing da Cervejaria Dádiva e uma das idealizadoras do projeto, a sommelière Aline Smaniotto Tiene.

Para celebrar o coletivo, elas resolveram produzir um rótulo exclusivo. Juntas, definiram estilo, elaboraram a receita, nome, identidade visual e foram para a fábrica. A Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP) cedeu o espaço e os equipamentos, mas foram elas que fizeram todo o trabalho. “Fizemos CIP (desinfecção) no tanque, moemos e arriamos o malte, enfim produzimos a cerveja com as nossas mãos e temos muito orgulho disso”, afirma Aline.

O estilo escolhido foi o American Barley Wine, de amargor mais acentuado que a sua versão de origem, inglesa, para fugir totalmente do estereotipo de que mulher gosta apenas de cerveja leve e doce. Com 10% de graduação alcoólica, leva maltes tostados e lúpulos americanos de aroma e amargor. A cerveja foi produzida no começo de julho e deve estar disponível para comercialização ainda neste semestre.

Para chamar ainda mais atenção para a questão, o lucro obtido com a comercialização da cerveja será doado a entidades que acolhem mulheres vítimas de violência. “Falar sobre machismo e feminismo é muito amplo. Escolhemos então tratar dessas questões dentro da nossa realidade e a nossa realidade é o mundo da cerveja”, complementa.

Para acompanhar as novidades, conhecer mais sobre o projeto e suas participantes é só seguir o coletivo nas redes sociais através do @cervejaporelas.

O QNFM parabeniza esta iniciativa legítima e necessário em nosso mercado. Para frente, meninas!

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Desafio “35 dias sem machismo” proposto pela fan page do movimento

 

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